A partir de rodas em grupo feminino de escrita livre e poesia, foi se criando uma potência para o território do Campo Grande, unindo literatura, arte e liderança feminina, nomeado Coletivo Literário Dandara Somos.
Viver em bairros periféricos dificulta os acessos a inovações da tecnologia e cultura. Mesmo com estes obstáculos, em 2022 o Coletivo Dandara ressignificou suas trajetórias individuais e transformou em poemas com a mentoria da escritora Katia Marchese na Casa de Cultura do Parque Itajaí. A idealização de um livro publicado com essas histórias parecia distante de se tornar realidade devido à falta de apoio financeiro e credibilidade no projeto.
A reviravolta com o Hub
A reviravolta aconteceu através da conexão com o Hub Quebrada em Movimento, que impulsionou para que o livro Dandara: Somos Poesia se tornasse uma realidade materializada. O lançamento ocorreu na Casa de Maria de Nazaré (Casa dos Anjos), localizada no bairro Jardim Liliza, no território do Campo Grande — também sede do Hub Quebrada em Movimento.
Este evento marcou profundamente todas as poetisas e colaboradores, provando que investir em movimentos culturais periféricos gera um impacto social imediato e duradouro para toda a comunidade.
Cotidiano e Identidade: A Poesia Baseada na Vida
As histórias do livro coletivo são vivências na perspectiva de suas autoras e seu cotidiano morando na cidade de Campinas. Na poesia “213”, de autoria da integrante Vera Franco, é utilizado como título a linha de ônibus que faz o trajeto do território do Campo Grande até o centro de Campinas — a narrativa contém dificuldades vividas no transporte.
O coletivo promove a liberdade de se expressar através da escrita e transforma a arte em porta-voz das dores e esperanças de mulheres comuns que estão apenas exigindo o seu direito de pertencer com dignidade.
No evento Quebrada Talks 2025, organizado pelo Hub Quebrada em Movimento, a integrante do coletivo Dandara, Vera Franco, participou contando sua trajetória.
A materialização deste livro possibilitou que mulheres que antes se sentiam dentro de uma bolha reconhecessem sua própria força e capacidade — provando que sonhos considerados impossíveis podem ser realizados através da organização coletiva e do apoio técnico adequado.
Conclui-se que o Hub Quebrada em Movimento não apoiou somente uma iniciativa cultural, mas sim a capacidade criativa da periferia: o projeto reconfigurou as perspectivas de um território, reafirmando que a inovação social nasce do protagonismo e da voz da comunidade.
